10 de jun de 2010

Apresento-lhes















Ele curva a cabeça sempre que vivemos por intensidade. Ergue a voz com autoridade, sempre que nossa alma se banha de feridas e tristezas. Suas asas são feitas de areia e o vento ajuda a espalhar sua poeira sempre que se faz necessário lembrar-nos de sua existência.
É nítida sua vivência. Vez ou outra encosta na calçada pra nos contar das coisas que viu passar. É meio surdo, um pouco manco e treme a cada passo. Mas sua visão compensa todas as ausências. É capaz de enxergar até mesmo o que carregamos nos olhos. Seja líquido, ou sólido.
Senhor simpático, que castiga aqueles que teimam em acompanhar seu rastro de luz. Nunca feriu, nem mesmo ofendeu qualquer ser que respirasse. Mas nunca nos impediu de colocá-lo do lado de fora das nossas angústias, dos nossos medos.
Ele esteve em todos os minutos do ponteiro, pendurando-se nos momentos, transpassando dores e afugentando velhos inimigos. A impaciência às vezes o desdobra. Coloca-o no bolso e carrega até a última hora. É de todo lerdo para os que sofrem, cruel para os que esperam e esperança para aqueles que, com sorrisos, dançam sobre sua ausência.
Veste amores a cada vida que assiste (desde sempre o mal que ele mais gosta de tratar). É bondoso e gentil, virtudes que carrega nas mãos (cravadas de calos). Sábio, barbudo, limpo. Enxerga nosso primeiro choro e tatua em nossas costas sua marca de prisão e declara o momento exato, de retirá-la de nossa pele. Entrega-nos sentimentos durante toda a vida. Coisas que deixamos escapar. Coisas que por uma humanidade irreversível, esquecemos jogadas em um canto qualquer da nossa linha.
Eis senhores, aquele que sabe dos dias que se foram e dos anos que virão.
Que transforma amores em lembranças e marca no pulmão, o momento de respirarmos ou não.
Este é o Tempo.
Este ancião de roupas velhas e olhos lacrimejantes.
Este ser, que possuindo a rapidez e a fragilidade nas mãos, continuará dizendo:
— Esperem por mim. Irão se perder se eu não lhes mostrar o caminho.


                                                       ( Halifas Quaresma ) 

2 comentários:

  1. O tempo o nosso velho companheiro aquele que está sempre conosco sendo nosso amigo e as vezes nos atrapalhando um pouquinho.
    Há o tempo que nos faz superar e nos faz esperar!
    Lindo texto como sempre né Halifas, vc me encanta a cada poste novo!
    Beijos;*

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  2. Mariiiii,
    me encanta muito mais a tua visita. Ver esse rostinho em uma postagem minha ^^.
    Decidi postar sobre o tempo, pois percebi que ele é o único que nos acompanha até o final.

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