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Mostrando postagens de Julho, 2010

Prece de mim

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[...] Por distração me vi nos braços do delírio. Encostei-me nos ombros de ninguém. E fingi ter pressa de acabar logo com a espera E driblar as palavras envolvidas nos risos. Partindo da minha atmosfera E invadindo tua boca, Resumi meus pensamentos a um completo nada. Só pra encostar minha vida na sua. De que me valeria fazer sentido o eu, Se o contigo ainda era um enigma? Grito a todos que não tenho pressa Que me venha ao tempo que achar preciso Pois confesso, que de vez em quando meus joelhos vão ao chão. E se amar é um processo lento, Quero que demore tempo suficiente para que envelheça a solidão...                             (Halifas Quaresma)

29 de Julho

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Anoiteci... Cheguei aos 20 com tudo que pude. Carreguei da infância toda pureza que não pude esconder até os 15. Foi no meu primeiro ano de vida que conheci minha sina. Não a de virar das letras este escravo bem pago, Mas de ser humano para o resto da vida. Esse é o verdadeiro pesar. Todos os meus segundos de adolescente Foram vividos com tudo que eu tinha. E hoje, sei que minha farda está suja da poeira que encontrei nos campos de batalha. Dormi vez ou outra pra descansar meus passos. E com tudo que escorreu de minhas mãos, Pude construir histórias. Ditados que talvez vá usar com os que verei crescer, com a graça de Deus. Hoje cheguei aos 20. Mas parece que foi ontem, que agarrado no útero de minha mãe, Supliquei para não sair. Tentei evitar que me fizessem carne de maltrato. Hoje faço 20 e ainda necessito colo. Bom! Ninguém é perfeito.                                             (Halifas Quaresma)

Herança

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Deitei-me na grama e vi os meus problemas passearem no vão. Fiquei ali parado observando-os disfarçados de nuvens. Então depositei os olhos naqueles desenhos E esperando que caíssem do céu, As gotas que herdei por sede, começaram a banhar minha pele. A chuva que se confunda com minhas lágrimas! Por que de mim, O tempo só terá segredos.

                (Halifas Quaresma)

Sobre um Círculo

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A vida é um círculo. Retire dela dois dedos de dores. Tudo o que sobra é uma linha em forma de U. Pendure. E faz para ti um balanço.
                                (Halifas Quaresma)

Do Coração

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O coração é um órgão que ás vezes nos entrega a sorte. Assim mesmo, de mão beijada. É que ele é inocente e não percebe que nem todas as mãos são capazes de segurar-nos com o cuidado necessário. Ele é forte, mas não exercita tanto assim todos os músculos. Faz questão de reclamar atenção em todos os momentos e isso nos leva aos golpes que sentimos esmurrarem o peito de dentro pra fora, num compasso quase igual. Nossas mais sinceras angústias vêm dele. O meu vomita todos os dias as impurezas que me percorrem o sangue. E o papel fica assim, todo molhado de letras e tintas frias. O meu consolo, é que ouço seu movimento se manifestar todas as noites. Mesmo que fraco. Cansado das pedras que foram sendo jogadas em cima de suas vontades. Tonto de tantos muros que encontrou pelo caminho, fez voto de silêncio e emudeceu seus sentidos para não precisar incomodar a razão e despertá-la de seu sono tranqüilo. Essa é a diferença entre o pedaço de carne que sangra no peito dos adultos e o pedaço de vida …

Naquela noite

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Todos os segundos transformados em horas. Todas as vontades resumidas ao ato. Catei-lhe os cinco sentidos e os amarrei como reféns. Os membros dormentes pareciam não ter apoio. E nesse momento as curvas todas cabiam em minha mão. A vida inteira, exprimida em minha mente. O vapor da pele subia feito água quente em tarde de domingo. E então, na melodia amedrontada da respiração, Tropecei de face nos dizeres calados daquele momento. E antes que me intimidasse com olhos de chantagem, Abracei-a com a boca que por direito é dela. Tomando-lhe o fôlego, Que por conquista, É meu.
                                                     (Halifas Quaresma)

Certa Carta

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Querida Mente, Perdão mais não pretendo fazer pacto com tal absurdo. Tal envolvimento seria desonesto comigo mesmo. E não me importa quantas regras se escondem por trás disso. A verdade nua e crua, é que meu espaço está limitado a um palmo de mente, ou a alguns centímetros de cérebro (e sejamos francos, normalmente centímetros desperdiçados). Não, eu não pretendo ser direto. Rodopiar por entre metáforas e simbolismos já é um costume. Mas vou direto a essência desta carta. Quando me olho no espelho, vejo olhos profundos e cheios de histórias e por tanto, dotados de conhecimento e fragilidade. Quase sempre vejo um estranho penteando meus cabelos. Mãos macias, delicadeza fria. Alguém muito parecido com o ontem e talvez uma sombra perfeita de algo perdido entre o hoje e o amanhã. Sim, é dessa falta de sanidade que quero falar. Desse momento espantalho que vivo todos os dias. O teto que vejo ao abrir os olhos parece despencar a noite inteira e reconstruir-se antes da alvorada. Meus pés só tocam…

Olhos...

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Os olhos tendem a serem caixinhas de lembranças. Pequenos filmes ficam alojados nas pálpebras. E quando fechados nas horas oportunas, Deixam escapar o enredo da trama, que líquido, escorre pelo rosto. Redesenhando o roteiro e expulsando velhos personagens...
                                                        (À alguém que teima em voltar quando me pego de olhos fechados)
                                                                           (Halifas Quaresma)





Mudar

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Os dias se abrem e me cobrem feito cobertor de estrelas. Aquecendo tudo o que fica debaixo de suas sombras. Brilhando num toque suave dentro do sol, Está uma gota de mim. Suprimida pelo calor que sustenta a terra. Uma ponta de magma, Que por não tocar o vento, Acaba privando-se de transformar-se em rocha. No desfalque das mudanças, virei labirinto de dúvidas. Onde as paredes, sustentadas pela mente, Privam-me do lado de fora. E guardam por força, o monstro insano que temo acordar. Estou perto demais das minhas loucuras. Estou longe de tudo que o mundo abraça. Vivendo e pairando em outro ar. Respirando outra vida. E essa estúpida mudança que me faz expulsar lembranças vivas De uma poesia mórbida, adolescente, Faz-me também metáfora da vida que tive. Com um punhado de letras, Sustento minhas imperfeições como uma boa ovelha. Sou apenas “modo de dizer”. Uma simples “força de expressão”. Não levem a sério o peso que demonstro nas cordas velhas debaixo da pele, Que percorrem quilômetros de corpo, levando rosas …

. . .

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A felicidade é mesmo algo bem sutil.
Fica quietinha no seu lugar,
Aproveitando cada  canto reservado à ela
Entre uma ponta e outra da mão...

                                            Halifas Quaresma