3 de jul de 2010

Mudar





















Os dias se abrem e me cobrem feito cobertor de estrelas.
Aquecendo tudo o que fica debaixo de suas sombras.
Brilhando num toque suave dentro do sol,
Está uma gota de mim.
Suprimida pelo calor que sustenta a terra.
Uma ponta de magma,
Que por não tocar o vento,
Acaba privando-se de transformar-se em rocha.
No desfalque das mudanças, virei labirinto de dúvidas.
Onde as paredes, sustentadas pela mente,
Privam-me do lado de fora.
E guardam por força, o monstro insano que temo acordar.
Estou perto demais das minhas loucuras.
Estou longe de tudo que o mundo abraça.
Vivendo e pairando em outro ar.
Respirando outra vida.
E essa estúpida mudança que me faz expulsar lembranças vivas
De uma poesia mórbida, adolescente,
Faz-me também metáfora da vida que tive.
Com um punhado de letras,
Sustento minhas imperfeições como uma boa ovelha.
Sou apenas “modo de dizer”.
Uma simples “força de expressão”.
Não levem a sério o peso que demonstro nas cordas velhas debaixo da pele,
Que percorrem quilômetros de corpo, levando rosas como fluidos.
Ainda não acordei para meu verdadeiro tempo.
Ainda durmo.
E sonho.
Não necessariamente nessa ordem.

                                          (Halifas Quaresma)

2 comentários:

  1. Tua poesia, revela uma alma contestadora, que busca respostas, cuja sensibilidade é densa e dá a direção certa a seus anseios.
    Gosto de vc, menino.
    Beijos.

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  2. Ooooow

    Nem preciso dizer que gosto de você também né.
    É sempre lindo er você aqui.

    Beijos Lua.

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