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Mostrando postagens com o rótulo Halifas

Único alívio

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Foto: Lourenço Teus desejos tão humanos cabem todos nesses olhos. Círculos pequenos de pureza e loucura Grades sinceras de onde se jogam tuas lágrimas Nossas vozes defrontadas nossos risos repousados. Ter do teu peito sincero esse silêncio armado de gritos. É nesse enlaço que te converso, que meu corpo te responde É onde mostro que o refúgio te faz pairar na ponta dos pés E o que se quebra na paisagem alheia junta todos os caminhos num único abraço.                                                      (Halifas Quaresma)

Novas Cores

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Foto: Marília Sousa Coutinho   Esse silêncio, Nutrido de memórias, Com um beijo macio e gélido, Crava sem cura A sinceridade que escorre das paredes. Desenhando com o mofo Todas as ambições feridas. E que se deixe estragar de caruncho Para que num repentino acordar Prive-se a poeira do merecido descanso E pinte-se tudo outra vez.                                                                                      (Halifas Quaresma)

Inevitável

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Saudade, na sua forma mais cruel, respira sozinha e vai muito além de qualquer força de vontade. Sendo isso, resta cortar os pulsos do relógio e esperar que, agonizando, rasteje pro nada. Sem ir ou vir. Apenas sendo no passado excessivo das lembranças.                                                                                                       (Halifas Quaresma)

Insiste

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Ainda visitas meu sono, inconvenientemente sem aviso. Ainda perturba meus ouvidos, insuportavelmente sem assunto. Na distração do meu cerne, convidas, ofegante, minha memória. Para lembrar-me que ainda vagas no silêncio. E que na impalpável vida que tivemos Reside o jamais que aconteceu.                                                                   (Halifas Quaresma)

Ouse dizer não!

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Pela manhã, vem a brisa encharcada de luz, afogar meus holocaustos sentimentais, oferecendo-se em alimento. Vem o porvir, acordar-me da noite meio que por gritos, ou ordens, ou favores. E arde o sol queimando-me as horas. A vida se inventando frágil e necessária, encara-me, fria, no espelho d’um louco. E assim, vai o sorriso dela, tornando-se a coisa mais indispensável do dia.                                                (Halifas Quaresma)

Significa

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Sonhar é de tal forma, alcançar a mente sem usar os dedos. Chorar é beber da alma fora do corpo. Viver é fazer externo o que se carrega nas veias. Sorrir é cuspir nos olhos da dor. Amar é perder todos os dias um pouco de cada verbo E ainda assim ter algo para conjugar.                                               (Halifas Quaresma)

Das manias da Vida

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O desejo pálido estampado no céu de outono Convida o corpo, Cansado e tímido, Às carícias da vida Que lá fora canta em um eco infinito. Repetindo as luzes E as dores. E ás vezes, Ao passo em que a morte se distrai, Deita-se no peito quente de algum desavisado. E pede dedos que a façam dormir. Do meu, Simplesmente fez-se dona. E sem prévio aviso, castigou-me com o sorriso. Agora, Eu vejo as cinzas do meu rosto dançando em pleno ar. Levando de mim A eternidade que eu carregava no ego E os anos que se desprendiam dos olhos.                                                      (Halifas Quaresma)

Plágio

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Escorre da luz que me cerca Feito inevitável arrastar-se do tempo, Todas as coisas que brilham infinitas vezes No vão, oco, que me enfeita por dentro. Agulhas frias penteando o ego. Encaixando cada fio dos longos medos. Em cada passo feliz, Enxergo as sombras desenhadas no espelho. A imitação impune Do crime imundo que carrego no peito. A cópia desonesta das farsas alheias Emolduradas nas verdades que invento.                                (Halifas Quaresma)

Antes do que se escreve

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Desmembrado punho Lamenta-se, profundo, Os únicos desenhos que pôde fazer. Adormecidos sonhos Queimados, em papel, Na pele que se molda ao que se resta escrever. Letra por letra, Marteladas vezes, Penduradas uma a uma Na parede do que se resta dizer. E lamentavelmente, Despedindo-se frio, Vai-se sangue a sangue Formando-se ser. Surgido de dores, Provocável riso, Adormenta-se em pontos, Diz adeus ao branco incontido, Saudando as cores daquilo que se lê.                                           (Halifas Quaresma)

Ânsia

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Não saber esperar e enlouquecer na falta de uma presença É procurar amar apenas o que resta ser amado. Como que por migalhas, construísse caminhos de atenção. E na súplica de uma boca sem beijos Escolher agradar as horas que passam Ao invés de deixar amadurecer as vontades do peito.                                ( Halifas Quaresma )

Pedido

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Nesse momento. . . Que a vergonha, seja pelo calar. Que o desejo, seja da pele pra fora. Que o provar, não se limite à vontade. Que o não, seja indeciso. Que o talvez, seja entendido. Que a dúvida, seja a resposta. Que o ar, seja testemunha. Que as horas se cansem. Que os olhos não parem. Que a voz seja a minha. E teu sim também.                               (Halifas Quaresma)

Entre a retina e o pedido

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Se te prendo entre a retina e o pedido, É que me faltam passos para dar. Se te guardo entre o sim e o talvez, É que me falta à certeza dos olhos, Falta-me ainda a ausência do não. Se te prendo entre o toque e o silêncio, É que me falta pele para arcar. Ainda preciso de coragem para lembrar a vergonha de se ter timidez. E ainda que eu te prenda entre o verbo e os dizeres Serei todo verso. Todo linhas. Todo rimas. Segurando-te entre o brilho dos meus pontos E o reflexo de minhas vírgulas.                            (Halifas Quaresma)

. . . Das Consequências

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Os traços de minha máscara caíram. Tentei firmá-los no suor do rosto exaustivo de tantos choros. Fui aprendendo a substituir a verdade pela facilidade de sorrir. E revirando meus dizeres em gestos estampados no gesso de uma nova vida. Tentei encontrar litígio nas faces que abracei. Algo que fosse comum entre aquilo que vestia para o mundo E aquilo que enxergava à noite em espelhos. Tristes fins os de amar. Achar que por ter no peito algo que, vermelho, dance pelo corpo, É no mínimo entender nessa palavra Um bom motivo para conjugá-la. E nesse caminho, Vou me desfazendo do bom e velho português. Pois se ao menos esse verbo não puder conjugar. Perdão queridos poetas, Mas a gramática não me serve mais.                                          ...

Blues Cotidiano

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Não é agradável olhar para o mundo que o homem inventou Só tem poeira, desgosto, sobras Não é bom o homem do agora. Triste, sem amanhã. Não caminha, não sente, não vive  E não costuma amadurecer. Não tem peito, nem olhos. Só um relógio no pulso que lhe avisa a hora E duas cortinas, Em pálpebras, Que se fecham para não ver o que se perde do mundo. Depois dorme. E respira tudo outra vez. Sem hálito, Nem pele, Nem cor. O homem de hoje não tem risos. Pontua minutos de alegria E marca hora com os bons momentos. Tudo que o homem sente é vapor. E o que um dia chamou de veias, Hoje é a irrisória quantidade de amar.                                                ...