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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

Por vezes

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Beijo-te por vezes no silêncio da minha testa. Provo-te por vezes na vontade do meu hálito. Arranco-te por vezes dos braços do jamais. Por vezes encosto-me nos ombros da saudade. E por vezes adormeço na esperança dos dizeres. Por vezes sofro. Por vezes minto. Por vezes sangro, mas não sinto. E os olhos, por vezes, ardem. Por vezes vivem. Por vezes amam. A realidade por vezes importa. Os sonhos por vezes dormem. E eu às vezes ouço, Do fundo do meu quarto amargo, Meu coração, Que por vezes sempre, chora.
                           (Halifas Quaresma)

Entenda . . .

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Advinha

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Ele é tímido, Ligeiramente preocupado com as intenções alheias, Tem mania de apertar-se contra a vontade E por isso se esconde dos rostos que vê. Coração lunático, não? Fica batendo do lado errado do corpo...
                                                                          (Halifas Quaresma)

Daquilo que não posso amar

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Desprezo-te por tudo que roubas de mim. Desprezo-te por toda essência de sono que arrancas de minhas noites. Detesto tua forma de arrancar-me os olhos, Como se meu, nada fosse. Como se a ti houvesse dado, Aquilo que outrora nunca saiu de mim. Desprezo teus olhos. Eles arrancam de mim as atenções que o mundo precisa. Eles me enforcam nas mil maneiras que consigo imaginar-me dentro deles. Desprezo-te por todas as horas que arquiteta em minha testa, Moldando o tempo a tua maneira, Esculpindo o ar com teus segundos intermináveis. Tudo o que me resta odiar É o sabor líquido daquilo que amo. O amor diluído no calor da sanidade, Derretendo o gelo do silêncio E deixando escorrer por dedos as palavras ditas verdades. É que não posso ter por bem Aquilo que tira de mim essa força que me faz pulsar. Por que dentro do peito, eu tudo posso carregar. Mas se peito não tenho, por te dar, nada posso guardar. A não ser o nada que me fazes amar, A ausência que carrego de ti E o vazio que me fazes odiar Por não achá-la dentro de…

Dos sentidos (ou o Blues dos Sentimentos)

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Meus novos dedos não conseguem mais sangrar no antigo violão. Não conseguem engatinhar notas recém paridas Por descarrilarem da estrada a imagem dos sons. Já não ouço com tanto fervor. Meus ouvidos tropeçam em surdez opcional Recusam-se a entender das bocas do mundo, Todas as estranhas teorias de se viver em paz com o peito. Eu já não acordo tanto. Já não tenho a nobre mania de abrir minhas janelas para olhar o mundo. Doe tanto!  Dizer que de todas as íris que poderia cegar Fui escolher justo a que arranca dos dias os sorrisos mais sinceros E as verdades mais limpas. Da boca nem se fala... Desisti de entender o porquê de se fatiar pessoas com a língua. Prefiro fatiar-me por dentro, Provando dos erros que aponto. Hoje só quero o tato e um pouco do cheiro de tudo. E quem disse que o sentir nasce da pele ou das mãos? De fato ajuda se tocar o peito. Mas é dentro dele que se guarda o íntimo. E é no íntimo que aprendemos o sentir. Seja pelas gotas de silêncio que se sente ao amar. Seja pelo cheiro do tempo, Espal…