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Mostrando postagens de Junho, 2010

Ao Amanhecer

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Eu hoje acordei com olhos de perdão. Armas abaixadas, escudos encostados, posição curva. A poeira entre os dedos vem de súplicas e medos. Quase sempre nessa ordem. Hoje eu acordei com o gosto da noite em minha boca E uma leve sensação de ingratidão. Sabe-se lá quem dormiu comigo. Se foi a sombra de um Sim, Ou o vulto de um Não...

                                        Halifas Quaresma

Teu Véu

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Não nos olhamos nos olhos pra não corrermos o risco de passar dias e noites com o mesmo pensamento.

Não nos abraçamos por que temos consciência do que isso causaria em nós.

Teu olhar dorme quando esta com ele e você acorda quando sente minha presença.

Nos olhamos em absoluto silêncio, como se tocássemos algo proibido, como se fosse o medo de quebrar.

Meus dedos deslizam entre a orelha e teus fios negros como a luz da sala que apagava por defeito.

E em um momento de dor e angústia, os lábios se encontram e expulsam tudo que é ar.

O relógio marca um tempo que já não tem mais valor.

Os olhos se apertam, a face se torna leve e o corpo já não obedece mais a mente.

A razão torna-se de fato inexistente por raros 2 minutos.

E no submundo da agonia de um adeus permanente,
as bocas se separam e as testas se encostam como se compartilhássemos pensamentos.

É como ter o poder de tudo, em alguns miseráveis minutos.

É como saber do amanhã sem se importar quanto tempo demorará pra chegar…

. . .

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Ao minucioso som que corta meus ouvidos Entrego toda minha calma. É miúdo, o passarinho que canta ali nos galhos do relógio. Poderoso, é o som que vem de cada sopro (no sentido garganta da palavra). Ás vezes misturando ao sono, Um gosto de despertador E uma vontade louca de acordar...

                                                                          Halifas Quaresma

A máquina

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A máquina, firme, trabalha a todo vapor De lenha em lenha, queima todo o combustível. De esteira em esteira É esculpida por mil mãos. Cada mão com uma vontade, Cada vontade com uma válvula de pressão. No peito, Sentimentos escorrem em fluxo. O fluxo, em meandros, carrega a vida. A vida, toda amor, deságua em mar.

                                                       ( Halifas Quaresma )

Aos Anjos

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Escrever me vem como um dom. Mas às vezes tenho como necessidade. Expulsar da alma tudo que sufoca os músculos do coração e talvez deixar fluir no sangue algo que se confunda com o resto de vida que sobra em meio a tanta sujeira. Será que é tão óbvio ou tão comum poesia ser da língua inimiga e dos dedos uma amante? Salivar palavras na mente e deixar que, úmidas, façam sua parte como alimento da alma, é de fato rotina entre poetas. Mas não me encaixo em tal pretensão. Não me castigo por mera decadência existencial. É apenas vontade de submeter os gritos ao espaço que lhes reservo imunes dentro do peito, evitando que evidenciem aquilo que deve permanecer livre dentro da carne. Minuto a minuto me escorrego nos vultos das canções e me pego andarilho em caminhos sem volta. Essa é a sina de quem permite escravizar-se em linhas, purificar-se em versos. Tenho medo do que me reserva o eco. A continuidade das minhas lembranças me revela sentimentos cujo gosto, ainda não se mistura com o present…

Das cores

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Que belos significados possuem as cores. Um coração é vermelho, quando ama a dois. O meu é verde, Por que ainda ama sozinho...

                                        Halifas Quaresma
Quando era apenas ar Sonhava em ser ventania. Por enquanto sou brisa Desejando ser asas...

                                        Halifas Quaresma
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É que o tempo é gotinhas de chuva E a vida é o chão...

                                       ( Halifas Quaresma )

Apresento-lhes

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Ele curva a cabeça sempre que vivemos por intensidade. Ergue a voz com autoridade, sempre que nossa alma se banha de feridas e tristezas. Suas asas são feitas de areia e o vento ajuda a espalhar sua poeira sempre que se faz necessário lembrar-nos de sua existência. É nítida sua vivência. Vez ou outra encosta na calçada pra nos contar das coisas que viu passar. É meio surdo, um pouco manco e treme a cada passo. Mas sua visão compensa todas as ausências. É capaz de enxergar até mesmo o que carregamos nos olhos. Seja líquido, ou sólido. Senhor simpático, que castiga aqueles que teimam em acompanhar seu rastro de luz. Nunca feriu, nem mesmo ofendeu qualquer ser que respirasse. Mas nunca nos impediu de colocá-lo do lado de fora das nossas angústias, dos nossos medos. Ele esteve em todos os minutos do ponteiro, pendurando-se nos momentos, transpassando dores e afugentando velhos inimigos. A impaciência às vezes o desdobra. Coloca-o no bolso e carrega até a última hora. É de todo lerdo para os …

Reticências

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Olhar uma imagem quase sempre é purificante. Ter na mente ou no peito alguma coisa pra lembrar, afasta a saudade. Fica mais fácil esperar se eu tiver um pedacinho de ti. Mesmo que ele se limite a essa vasilha de idéias Ou a essa caixa de pandora, a cinco palmos do queixo, Que insisto em abrir vez ou outra só pra ver se ainda pula. Se ainda sangra? Não sei. Devo esperar até que volte o pensamento. No momento está fechada. É Birra por não ter mais o que amar...


                                                       ( Halifas Quaresma )

No papel

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Já é de regra olhar pra dentro. É de desejo enxergar algo, pequeno que seja,  Pulsando do lado de dentro do querer. Me serviria ter um pouco menos de massa Do lado de dentro das idéias. Por que com o passar das horas, Algumas ficam com um gosto de ontem. Sorte que no papel, Os pensamentos ganham pulmões E vestem-se com o perfume do amanhã.


                                                       ( Halifas Quaresma )

Carta

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Doce Senhorita,
Venho por meio desta, pedir-lhe um pouco menos de encanto. Algumas gotas a menos de magia e invasão. Sei que pode parecer estranho, mas nos conhecemos a tanto e só agora pude entender a gravidade do momento. Meus olhos à noite, se debruçam em pontos de interrogação. Meu corpo girando pela casa parece não ter base para apoiar seus músculos. Meus pensamentos, compulsoriamente, se entrelaçam no brilho turvo do luar que invade meu leito. Como vê, não sou de todo dotado de tempo e espaço para pensar na sua imagem. Não sou de todo disposto a me render eternamente a sua dança. Não estou apto a encarar no espelho, teu corpo envolto num vestido de cetim, com prata por todos os bordados, desses de serem traçados por mil borboletas. Não sou de suportar olhos dotados de brilho, pele perfumada de vontades e cabelos aveludados como nuvens de vida. Sou de aquietar-me debaixo de chuva. Com joelhos em queixo e braços abraçados em pernas. Sou de contemplar o frio e de cortejar as rosas. Sou…
O tempo é o silêncio disfarçado em ponteiros e esperas
Silêncio que insistimos em incomodar.
As horas que carrego no pulso derretem frágeis quando postas à mesa.
Se for dia ou noite, não importa.
Interessa que seja agora.
Importa que seja real...

                                                       ( Halifas Quaresma )