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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Permissão

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Guarde com dentes e força aquilo que trazes dentro do peito. É que esse é o único pedaço de carne do corpo Que ninguém poderá devorar. A não ser que digas: — Entre...

                         (Halifas Quaresma)

Das Cartas

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Sabe as cartas que erroneamente joguei no mar? Se foram. Perderam-se entre o sal e a cor azul. Foram divididas ao meio verbo a verbo. E no meio do tempo, esquartejadas em cada frase. Não tinham no gosto algo que pudesse se misturar às virtudes da vida. Carregavam apenas algumas poucas palavras que com o tempo foram preenchendo as linhas imaginárias de um papel em banco. Eu coloquei ali muito do que minha carne viveu. Algumas correntes que não pude quebrar e que ainda arrasto pelo espaço quadrado do meu quarto. Eram mesmo confissões. Asilos para velhos pensamentos. Agora se foram. Estão fazendo companhia pra qualquer que seja o animal que se alimente de tinta. Quando derramei pétala por pétala, o mar foi abraçando partes incontáveis de minha existência. Joguei sem piedade alguma a parte que falava das lágrimas. E junto com ela, dissolveu-se o momento das angústias, dos pesadelos. Despi-me de todas as fardas. Calei-me diante do som que meu passado fazia ao assistir aquele circo. Não é que …

Um motivo

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Não é que os sorrisos estejam mais fracos E a vida com gosto de limão. É que o humor que víamos nos tropeços, virou motivo para crescer. E as penas que caíam do céu, foram levadas com o vento. Só precisamos enxergar aquilo que nos faz cócegas. Mas acho que o ato de viver, Já nos é motivo suficiente para gargalhar...
                                                                 (Halifas Quaresma)

Labirinto

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Tem um labirinto aonde me escondo quando tenho frio. Tem paredes vermelhas e tijolos todos feitos de sentimentos. Nesse lugar eu ainda sou uma criança... ...Tentando achar a saída. Ás vezes acho, Mas prefiro ficar.

                         (Halifas Quaresma)

O Protetor

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Nascemos dignos de um mundo inteiro. Somos todos frutos de uma mesma inocência. Eu sei, porque já estive nessa época do tudo. Os pequenos têm olhos abertos, amigáveis. É pra abraçar o mundo e conquistar as coisas que vê. A bolinha do olho brilha, quando enxerga à sua volta Uma infinidade de momentos e encantos Que o esperam para uma dança feroz e uniforme. Mas os que já beberam dessa doçura, Corrompem a necessidade de uma criança, de achar que pode chorar e rir ao mesmo tempo. Somos nós os que fazem pirraça. Os que brincam com a velocidade da vida. Pois quando crescemos Deixamos pra trás os grandes olhos de pequenos amantes do tudo E passamos a amar o escuro dos olhos fechados. Olhos fechados. Isso explica tudo. Porque como cegos não enxergamos se quer os que nos rodeiam. E talvez por isso ha necessidade do toque, do cheiro, do ouvir. Talvez por isso nos rendemos tantas e tantas vezes aos lugares altos. Por que a vontade de ser visto, Que nos faz desejar pedestais, Faz-nos tropeçar e cair por conta dos …

A Dívida

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Assim que nasci endividei-me com a vida. Foi sem aviso, sem cartas ou contratos. Simplesmente fui devendo e devendo e devendo... É que prometi, desde que dilatei os pulmões pela primeira vez, Que viveria, mesmo que me separassem do leite materno. Prometi instintivamente que meus pés ergueriam meu corpo E minhas mãos agarrariam vontades. Não vi que meu bolso estava vazio E que os trocados, esmigalhados na alma, não eram suficientes. Poderia ter calado com silêncio esse pacto involuntário. Mas inventei de chorar.
                                            (Halifas Quaresma)