4 de ago de 2010

A Dívida




















Assim que nasci endividei-me com a vida.
Foi sem aviso, sem cartas ou contratos.
Simplesmente fui devendo e devendo e devendo...
É que prometi, desde que dilatei os pulmões pela primeira vez,
Que viveria, mesmo que me separassem do leite materno.
Prometi instintivamente que meus pés ergueriam meu corpo
E minhas mãos agarrariam vontades.
Não vi que meu bolso estava vazio
E que os trocados, esmigalhados na alma, não eram suficientes.
Poderia ter calado com silêncio esse pacto involuntário.
Mas inventei de chorar.

                                            (Halifas Quaresma)

7 comentários:

  1. Muito bom!! Excelente descrição, gostei muito da forma como colocou os sentimentos e os conduziu...chorar faz bem, apesar de indesejável!

    []s

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  2. Chorar é externar...é bom...limpa a alma...
    Adoro vir aqui. Beijos!

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  3. Porque você me fez refleti. A vida é mesmo um pacto. Um contrato não verbal.

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  4. Que lindo, Halifas!


    Só nos resta viver e encarar todo o pacote que a vida nos tras.

    beijo :*

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  5. Lindíssimo poema!
    o melhor mesmo é começar a viver senão a dívida será eterna!

    Gostei do que li, belos textos!

    Abraço!

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  6. ah ! sem graça todo mundo ja disse que esta otimo...e realmente tenho que concordar ta excelente..muito belo...bjim
    jéssyca suellen

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  7. ah ! sem graça todo mundo ja disse que esta otimo...e realmente tenho que concordar ta excelente..muito belo...bjim
    jéssyca suellen

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