O Protetor















 Nascemos dignos de um mundo inteiro.
Somos todos frutos de uma mesma inocência.
Eu sei, porque já estive nessa época do tudo.
Os pequenos têm olhos abertos, amigáveis.
É pra abraçar o mundo e conquistar as coisas que vê.
A bolinha do olho brilha, quando enxerga à sua volta
Uma infinidade de momentos e encantos
Que o esperam para uma dança feroz e uniforme.
Mas os que já beberam dessa doçura,
Corrompem a necessidade de uma criança, de achar que pode chorar e rir ao mesmo tempo.
Somos nós os que fazem pirraça.
Os que brincam com a velocidade da vida.
Pois quando crescemos
Deixamos pra trás os grandes olhos de pequenos amantes do tudo
E passamos a amar o escuro dos olhos fechados.
Olhos fechados.
Isso explica tudo.
Porque como cegos não enxergamos se quer os que nos rodeiam.
E talvez por isso ha necessidade do toque, do cheiro, do ouvir.
Talvez por isso nos rendemos tantas e tantas vezes aos lugares altos.
Por que a vontade de ser visto,
Que nos faz desejar pedestais,
Faz-nos tropeçar e cair por conta dos próprios cadarços desamarrados.
Espero mesmo que meus filhos possam enxergar durante toda a vida.
Assim podem adoçar a boca com um punhado de açúcar,
Sempre que precisarem dar um basta ao amargo humano.
E espero que tenham medo de trovão aos 30 e tantos anos de idade.
Assim podem me abraçar sem a vergonha dos adultos.
E fazer com que me sinta de novo, protetor.
Amigo.
Ou Pai.
                                    (Halifas Quaresma)

p.s.: Por conta da data, estou postando de novo esse poema. Poucas pessoas sabem que meu maior sonho é ser pai. O antigo texto eu vou deixar no blog. É que nele tem um comentário de Rita. E não pretendo me desfazer desse presente ^^.

Comentários

  1. quanto carinho senti aki, seu post é show, aki te sigo, aki te leio, e aki retorno.
    com carinho
    Hana

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