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. . . Das Consequências

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Os traços de minha máscara caíram. Tentei firmá-los no suor do rosto exaustivo de tantos choros. Fui aprendendo a substituir a verdade pela facilidade de sorrir. E revirando meus dizeres em gestos estampados no gesso de uma nova vida. Tentei encontrar litígio nas faces que abracei. Algo que fosse comum entre aquilo que vestia para o mundo E aquilo que enxergava à noite em espelhos. Tristes fins os de amar. Achar que por ter no peito algo que, vermelho, dance pelo corpo, É no mínimo entender nessa palavra Um bom motivo para conjugá-la. E nesse caminho, Vou me desfazendo do bom e velho português. Pois se ao menos esse verbo não puder conjugar. Perdão queridos poetas, Mas a gramática não me serve mais.                                          ...

Blues Cotidiano

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Não é agradável olhar para o mundo que o homem inventou Só tem poeira, desgosto, sobras Não é bom o homem do agora. Triste, sem amanhã. Não caminha, não sente, não vive  E não costuma amadurecer. Não tem peito, nem olhos. Só um relógio no pulso que lhe avisa a hora E duas cortinas, Em pálpebras, Que se fecham para não ver o que se perde do mundo. Depois dorme. E respira tudo outra vez. Sem hálito, Nem pele, Nem cor. O homem de hoje não tem risos. Pontua minutos de alegria E marca hora com os bons momentos. Tudo que o homem sente é vapor. E o que um dia chamou de veias, Hoje é a irrisória quantidade de amar.                                                ...

Por vezes

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Beijo-te por vezes no silêncio da minha testa. Provo-te por vezes na vontade do meu hálito. Arranco-te por vezes dos braços do jamais. Por vezes encosto-me nos ombros da saudade. E por vezes adormeço na esperança dos dizeres. Por vezes sofro. Por vezes minto. Por vezes sangro, mas não sinto. E os olhos, por vezes, ardem. Por vezes vivem. Por vezes amam. A realidade por vezes importa. Os sonhos por vezes dormem. E eu às vezes ouço, Do fundo do meu quarto amargo, Meu coração, Que por vezes sempre, chora.                            (Halifas Quaresma)

Entenda . . .

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O coração é humano demais pra entender que ter alguém, É mais do que fazer existir dentro dele. É mais do que morrer nessa ausência. Ter alguém é mais do que estar. . . . . .É ser.                                (Halifas Quaresma)

Advinha

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Ele é tímido, Ligeiramente preocupado com as intenções alheias, Tem mania de apertar-se contra a vontade E por isso se esconde dos rostos que vê. Coração lunático, não? Fica batendo do lado errado do corpo...                                                                           (Halifas Quaresma)

Daquilo que não posso amar

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Desprezo-te por tudo que roubas de mim. Desprezo-te por toda essência de sono que arrancas de minhas noites. Detesto tua forma de arrancar-me os olhos, Como se meu, nada fosse. Como se a ti houvesse dado, Aquilo que outrora nunca saiu de mim. Desprezo teus olhos. Eles arrancam de mim as atenções que o mundo precisa. Eles me enforcam nas mil maneiras que consigo imaginar-me dentro deles. Desprezo-te por todas as horas que arquiteta em minha testa, Moldando o tempo a tua maneira, Esculpindo o ar com teus segundos intermináveis. Tudo o que me resta odiar É o sabor líquido daquilo que amo. O amor diluído no calor da sanidade, Derretendo o gelo do silêncio E deixando escorrer por dedos as palavras ditas verdades. É que não posso ter por bem Aquilo que tira de mim essa força que me faz pulsar. Por que dentro do peito, eu tudo posso carregar. Mas se peito não tenho, por te dar, nada posso guardar. A não ser o nada que me fazes amar, A ...

Dos sentidos (ou o Blues dos Sentimentos)

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Meus novos dedos não conseguem mais sangrar no antigo violão. Não conseguem engatinhar notas recém paridas Por descarrilarem da estrada a imagem dos sons. Já não ouço com tanto fervor. Meus ouvidos tropeçam em surdez opcional Recusam-se a entender das bocas do mundo, Todas as estranhas teorias de se viver em paz com o peito. Eu já não acordo tanto. Já não tenho a nobre mania de abrir minhas janelas para olhar o mundo. Doe tanto!  Dizer que de todas as íris que poderia cegar Fui escolher justo a que arranca dos dias os sorrisos mais sinceros E as verdades mais limpas. Da boca nem se fala... Desisti de entender o porquê de se fatiar pessoas com a língua. Prefiro fatiar-me por dentro, Provando dos erros que aponto. Hoje só quero o tato e um pouco do cheiro de tudo. E quem disse que o sentir nasce da pele ou das mãos? De fato ajuda se tocar o peito. Mas é dentro dele que se guarda o íntimo. E é no íntimo que aprendemos o sentir. Seja ...