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Dance

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E todos os frios costumes que lhe regem, Que hoje durmam ao som do esquecimento. E toda a vida que passeia ao seu redor, Que hoje dance com a vontade de durar...                             (Halifas Quaresma)

Das coisas Minúsculas

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O que alimenta esse vazio nas veias? O que será isso que toma tanto de mim sem que ao menos exista? Qual será a razão de não encontrarmos o alcance de nossos olhos quando procuramos motivos e momentos? O peito sempre arde por coisas que buscamos. A vontade de voltar à infância, de viver os mesmos medos, de amar os mesmos rostos, de sonhar as mesmas coisas, de dormir e acordar para viver tudo de novo e com mais carinho.   Ao nosso redor as pessoas giram sem norte, repetindo absolutamente tudo que um dia fizeram seus pais, seus amigos, seus vizinhos. Não aprendemos ainda que a resposta não mora nos ponteiros, mas naquilo que os carrega, não no tempo, mas naqueles que o faz parecer necessário.   Lá fora é sempre mais alegre, é sempre mais barulho, sempre muito mais do que aqui dentro. Nunca tive o direito de me achar perdido do resto das coisas, mas minha vontade de não soluçar o desgosto de repetir as horas é mais forte do que ...

Entre a retina e o pedido

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Se te prendo entre a retina e o pedido, É que me faltam passos para dar. Se te guardo entre o sim e o talvez, É que me falta à certeza dos olhos, Falta-me ainda a ausência do não. Se te prendo entre o toque e o silêncio, É que me falta pele para arcar. Ainda preciso de coragem para lembrar a vergonha de se ter timidez. E ainda que eu te prenda entre o verbo e os dizeres Serei todo verso. Todo linhas. Todo rimas. Segurando-te entre o brilho dos meus pontos E o reflexo de minhas vírgulas.                            (Halifas Quaresma)

. . . Das Consequências

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Os traços de minha máscara caíram. Tentei firmá-los no suor do rosto exaustivo de tantos choros. Fui aprendendo a substituir a verdade pela facilidade de sorrir. E revirando meus dizeres em gestos estampados no gesso de uma nova vida. Tentei encontrar litígio nas faces que abracei. Algo que fosse comum entre aquilo que vestia para o mundo E aquilo que enxergava à noite em espelhos. Tristes fins os de amar. Achar que por ter no peito algo que, vermelho, dance pelo corpo, É no mínimo entender nessa palavra Um bom motivo para conjugá-la. E nesse caminho, Vou me desfazendo do bom e velho português. Pois se ao menos esse verbo não puder conjugar. Perdão queridos poetas, Mas a gramática não me serve mais.                                          ...

Blues Cotidiano

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Não é agradável olhar para o mundo que o homem inventou Só tem poeira, desgosto, sobras Não é bom o homem do agora. Triste, sem amanhã. Não caminha, não sente, não vive  E não costuma amadurecer. Não tem peito, nem olhos. Só um relógio no pulso que lhe avisa a hora E duas cortinas, Em pálpebras, Que se fecham para não ver o que se perde do mundo. Depois dorme. E respira tudo outra vez. Sem hálito, Nem pele, Nem cor. O homem de hoje não tem risos. Pontua minutos de alegria E marca hora com os bons momentos. Tudo que o homem sente é vapor. E o que um dia chamou de veias, Hoje é a irrisória quantidade de amar.                                                ...

Por vezes

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Beijo-te por vezes no silêncio da minha testa. Provo-te por vezes na vontade do meu hálito. Arranco-te por vezes dos braços do jamais. Por vezes encosto-me nos ombros da saudade. E por vezes adormeço na esperança dos dizeres. Por vezes sofro. Por vezes minto. Por vezes sangro, mas não sinto. E os olhos, por vezes, ardem. Por vezes vivem. Por vezes amam. A realidade por vezes importa. Os sonhos por vezes dormem. E eu às vezes ouço, Do fundo do meu quarto amargo, Meu coração, Que por vezes sempre, chora.                            (Halifas Quaresma)

Entenda . . .

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O coração é humano demais pra entender que ter alguém, É mais do que fazer existir dentro dele. É mais do que morrer nessa ausência. Ter alguém é mais do que estar. . . . . .É ser.                                (Halifas Quaresma)