Postagens

Acaso

Imagem
É como voar dentro d’água, Tocando o rosto do silêncio, sem medo de cair. Hoje eu posso desenhar os meus desejos E fazer sombras para evidenciar o sol. Sabendo que jamais precisei acreditar em mentiras, Transformei meus olhos em mera coincidência. Pois, enquanto um dia chamei de ‘nunca’ meus pensamentos Hoje, a cada choro sincero Quase posso tocá-los em meu rosto. Quase. Apenas quase...                               (Halifas Quaresma)

Pequena síndrome de inexistência

Imagem
Esqueceram-se da chama que outrora ardia o pudor disfarçado em covardia. Apagaram a ultima lágrima que, úmida, ainda se privava de misturar-se ao ar. Insistindo firme em permanecer agrupando as lembranças, daquilo que um dia acreditou-se com o corpo e a vida. Foram-se todos os desejos. Todos os princípios. Toda a inquietude que fazia dançar a alma trêmula, daqueles que ainda acreditavam no sangue que, espalhado chão a chão, foi desperdiçado como vinho aos chacais famintos, do admirável mundo moderno. Pouco se viveu do amor quando ele habitou entre todos. Ama-se menos ainda, agora que quase inexiste nessa carcaça fria, que muitos denominam corpo. E os poucos grãos de vontade que ainda sobrevivem, dentre a terra estéril que se multiplica inútil quilômetros adentro, são convertidos a loucos passíveis de arrogância, desprezo e indiferença. Arca-se com os efeitos de se acreditar em algo que pouco se conhece. O preço de deixar-se apedrejar por todas as multidões. Há os que nã...

Plágio

Imagem
Escorre da luz que me cerca Feito inevitável arrastar-se do tempo, Todas as coisas que brilham infinitas vezes No vão, oco, que me enfeita por dentro. Agulhas frias penteando o ego. Encaixando cada fio dos longos medos. Em cada passo feliz, Enxergo as sombras desenhadas no espelho. A imitação impune Do crime imundo que carrego no peito. A cópia desonesta das farsas alheias Emolduradas nas verdades que invento.                                (Halifas Quaresma)

Antes do que se escreve

Imagem
Desmembrado punho Lamenta-se, profundo, Os únicos desenhos que pôde fazer. Adormecidos sonhos Queimados, em papel, Na pele que se molda ao que se resta escrever. Letra por letra, Marteladas vezes, Penduradas uma a uma Na parede do que se resta dizer. E lamentavelmente, Despedindo-se frio, Vai-se sangue a sangue Formando-se ser. Surgido de dores, Provocável riso, Adormenta-se em pontos, Diz adeus ao branco incontido, Saudando as cores daquilo que se lê.                                           (Halifas Quaresma)

Ânsia

Imagem
Não saber esperar e enlouquecer na falta de uma presença É procurar amar apenas o que resta ser amado. Como que por migalhas, construísse caminhos de atenção. E na súplica de uma boca sem beijos Escolher agradar as horas que passam Ao invés de deixar amadurecer as vontades do peito.                                ( Halifas Quaresma )

Dos Lábios...

Imagem
Quem se importa com o rosto pálido, As mãos úmidas O inverno interno, A ausência da voz, O silêncio das idéias, O desapego da vida em volta, A inexistência do tempo, Ou a amargura das lembranças vazias? Antes do beijo, o fôlego é chave de segredos. E no ato, A falta dele é só um detalhe...                                     (Halifas Quaresma)

Dos que gritam

Imagem
O mundo? Esse é feito de silêncios E daqueles que conseguem ouvir                         (Halifas Quaresma)