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Significa

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Sonhar é de tal forma, alcançar a mente sem usar os dedos. Chorar é beber da alma fora do corpo. Viver é fazer externo o que se carrega nas veias. Sorrir é cuspir nos olhos da dor. Amar é perder todos os dias um pouco de cada verbo E ainda assim ter algo para conjugar.                                               (Halifas Quaresma)

A descobrir...

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Se você driblar o medo por um momento Vai perceber que ele nunca foi grande coisa. Era só um pedaço da sua coragem Que dormia em algum lugar...                                          (Halifas Quaresma)

Das manias da Vida

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O desejo pálido estampado no céu de outono Convida o corpo, Cansado e tímido, Às carícias da vida Que lá fora canta em um eco infinito. Repetindo as luzes E as dores. E ás vezes, Ao passo em que a morte se distrai, Deita-se no peito quente de algum desavisado. E pede dedos que a façam dormir. Do meu, Simplesmente fez-se dona. E sem prévio aviso, castigou-me com o sorriso. Agora, Eu vejo as cinzas do meu rosto dançando em pleno ar. Levando de mim A eternidade que eu carregava no ego E os anos que se desprendiam dos olhos.                                                      (Halifas Quaresma)

Acaso

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É como voar dentro d’água, Tocando o rosto do silêncio, sem medo de cair. Hoje eu posso desenhar os meus desejos E fazer sombras para evidenciar o sol. Sabendo que jamais precisei acreditar em mentiras, Transformei meus olhos em mera coincidência. Pois, enquanto um dia chamei de ‘nunca’ meus pensamentos Hoje, a cada choro sincero Quase posso tocá-los em meu rosto. Quase. Apenas quase...                               (Halifas Quaresma)

Pequena síndrome de inexistência

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Esqueceram-se da chama que outrora ardia o pudor disfarçado em covardia. Apagaram a ultima lágrima que, úmida, ainda se privava de misturar-se ao ar. Insistindo firme em permanecer agrupando as lembranças, daquilo que um dia acreditou-se com o corpo e a vida. Foram-se todos os desejos. Todos os princípios. Toda a inquietude que fazia dançar a alma trêmula, daqueles que ainda acreditavam no sangue que, espalhado chão a chão, foi desperdiçado como vinho aos chacais famintos, do admirável mundo moderno. Pouco se viveu do amor quando ele habitou entre todos. Ama-se menos ainda, agora que quase inexiste nessa carcaça fria, que muitos denominam corpo. E os poucos grãos de vontade que ainda sobrevivem, dentre a terra estéril que se multiplica inútil quilômetros adentro, são convertidos a loucos passíveis de arrogância, desprezo e indiferença. Arca-se com os efeitos de se acreditar em algo que pouco se conhece. O preço de deixar-se apedrejar por todas as multidões. Há os que nã...

Plágio

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Escorre da luz que me cerca Feito inevitável arrastar-se do tempo, Todas as coisas que brilham infinitas vezes No vão, oco, que me enfeita por dentro. Agulhas frias penteando o ego. Encaixando cada fio dos longos medos. Em cada passo feliz, Enxergo as sombras desenhadas no espelho. A imitação impune Do crime imundo que carrego no peito. A cópia desonesta das farsas alheias Emolduradas nas verdades que invento.                                (Halifas Quaresma)

Antes do que se escreve

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Desmembrado punho Lamenta-se, profundo, Os únicos desenhos que pôde fazer. Adormecidos sonhos Queimados, em papel, Na pele que se molda ao que se resta escrever. Letra por letra, Marteladas vezes, Penduradas uma a uma Na parede do que se resta dizer. E lamentavelmente, Despedindo-se frio, Vai-se sangue a sangue Formando-se ser. Surgido de dores, Provocável riso, Adormenta-se em pontos, Diz adeus ao branco incontido, Saudando as cores daquilo que se lê.                                           (Halifas Quaresma)